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Como inovar sua gestão de pessoas através da educação corporativa?

Todo empreendedor deseja que seus colaboradores tenham produtividade e alinhamento às metas e objetivos da organização. Tais critérios são essenciais para que a empresa tenha sucesso e agem de modo a evidenciar a relevância de investir em programas educacionais corporativos para a gestão de pessoas.

Estes programas fazem a articulação de modo coerente das competências de cada colaborador com o intuito geral do negócio. É um passo importantíssimo para que os processos da corporação continuem inovando e crescendo.

Entretanto, vários aspectos estão prejudicando os resultados obtidos com técnicas de treinamento em empresas.

Muitos colaboradores se ausentam em determinadas reuniões de capacitação em virtude de tarefas acumuladas ou somente por aquela demanda que precisava ser entregue no fim do dia.

É por isso, que uma das metodologias que tem se destacado para a educação corporativa é o EAD – Ensino à Distância. Geralmente, trata-se de um treinamento de custo muito baixo – principalmente em relação aos métodos tradicionais – e que se destaca pela adaptação à necessidade de qualquer pessoa.

Por meio do ensino à distância, o funcionário atua na realização de uma autogestão de seus procedimentos de aprendizado e acaba se tornando responsável por tudo aquilo que aprende.

Isso é importante para a gestão de pessoas, a partir da premissa de que funcionários empoderados têm motivação de forma constante e não são desistentes. Além disso, eles também acabam por desenvolver capacidades relevantes para a produção profissional:

  • tempo gerido;
  • aprimoramento comunicativo;
  • problemas resolvidos rapidamente;
  • informações retidas;
  • emocional controlado.

 

Inovando com o EAD

Uma realidade inovadora de aprendizagem revelou o caráter urgente de gerir estrategicamente pessoas com foco em procedimentos diferentes e inovadores, alheios aos utilizados de forma tradicional. Isso teve amplificação a partir de avanços da tecnologia e consequentemente, no mercado de trabalho.

Desse modo, o EAD ganhou força nos procedimentos responsáveis por gerir pessoas e, atualmente, disponibiliza várias vantagens em comparação às metodologias convencionais de treinamento de empresas.

Pontuações positivas relacionadas ao ensino à distância:

  1. Comodidade

Nos treinamentos convencionais, o colaborador necessita acompanhar um determinado cronograma. O problema é que, por vezes, o período que os gestores escolhem ou o tempo de curso acabam interrompendo a produtividade de equipe.

Cursos virtuais acabam evitando tal obstáculo quando possibilitam maiores comodidade e flexibilidades em relação ao aprendizado. Estes colaboradores estão aptos a criar rotinas de estudo com base nas necessidades, sem que se perca o foco profissional.

  1. Comprometimento

Sem um instrutor, a metodologia acaba exigindo que o estudante tenha um comprometimento total relacionado aos estudos, de modo a cumprir suas atividades de forma responsável. Tal ação se reflete em procedimentos profissional e na maneira como os funcionários devem lidar com os objetivos estipulados.

  1. Custos reduzidos

Estes treinamentos que são realizados à distância delimitam vários gastos. Não há a necessidade de se locomover ou preparar estruturas físicas. Por isso, são destacados pela porcentagem de até 66% mais em conta do que quaisquer âmbitos de ensino presencial.

Os treinamentos EAD também podem destacar-se por um custo benefício aprimorado e têm maior acesso por não haver sofrimento com transtornos de localização geográfica, faixa etária ou período.

  1. Redução de taxas de evasão

Essa capacitação é flexível e age efetivamente na redução de taxas de evasão, promovendo uma elevação de sua procura.

Pesquisas apontam que desistências nas modalidades de educação corporativa à distância é de somente 3% e seu retorno para as companhias pode alcançar a 34%. Por isso, não é necessário ter medo de fazer o investimento neste método, acreditando que os colaboradores desistirão durante o treinamento.

  1. Avaliação de métricas

Já diziam grandes estudiosos que: não há como fazer o gerenciamento daquilo que não se pode mensurar, além de não ser possível mensurar aquilo que não tem definição, como também não há definição daquilo que não se pode compreender e, ainda, que não existe sucesso onde não há gerenciamento.

Isso reflete o que, de fato, é a razão para que os empreendimentos acompanhem os indicadores de desempenho de colaboradores e de técnicas aderidas.

É, portanto, necessário que se monitore todas as métricas para que ocorra a certificação de que as técnicas procedidas estejam de fato trazem resultados positivos. Isso é, de um jeito fácil, alcançado em comparativo de dados alcançados anteriormente e posteriormente ao método implementado.

 

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Trilhas de aprendizagem: o que são e para quê servem

Vivemos em um ambiente onde as mudanças são constantes e a tecnologia evolui de forma exponencial. Para se adaptarem ao mercado e se manterem competitivas, as empresas precisam se reinventar a cada dia, desenvolver novas competências, inovar. E isso só acontece a partir do desenvolvimento de seus colaboradores.

Há anos atrás, a Educação Corporativa focava em ações isoladas, por exemplo: se fosse identificada a necessidade dos gestores aprenderem a dar feedback, era desenvolvido um treinamento com esta finalidade, o público-alvo era treinado e pronto. A partir dali, os gestores teriam “aprendido” as novas técnicas e estariam aptos a dar ótimos feedbacks.

Atualmente, sabe-se que a aprendizagem deve ser compreendida como um processo contínuo. Ela se dá a partir da interação do indivíduo com estímulos do meio em que vive, causando mudança de comportamento. A partir desse conceito, o foco da Educação Corporativa passa a ser outro: ao invés de cursos e programas, o objetivo é entregar profissionais que apresentem o desempenho esperado pela empresa.

E o que isso significa?

A área de Treinamento e Desenvolvimento deve se preocupar em garantir que ocorra a transferência de aprendizagem, ou seja, que o colaborador possa demonstrar a aquisição ou a mudança de comportamento em seu dia-a-dia de trabalho. Para que isso aconteça, a Educação Corporativa precisa proporcionar experiências completas de aprendizagem.

É dentro desse contexto que surgem as trilhas de aprendizagem, sequências integradas de experiências, estruturadas, com a finalidade de proporcionar a aprendizagem das competências necessárias ao desempenho em diferentes atividades e perfis dentro da empresa.

Diferentes das grades de treinamento, que são um conjunto de cursos obrigatórios a determinado cargo, as trilhas de aprendizagem apresentam características que possibilitam uma aprendizagem contínua, mais centrada no participante e suas necessidades de desenvolvimento, sem perder o foco nas necessidades de desenvolvimento da própria empresa.

Características das trilhas de aprendizagem

A primeira característica das trilhas é a flexibilidade. É possível trabalhar com soluções de aprendizagem obrigatórias e outras elegíveis pelo colaborador. No caso de trilhas eletivas, o colaborador é incentivado a ser o protagonista de seu desenvolvimento, uma das principais competências nos dias atuais.

A segunda caraterística é o conceito de experiência completa de aprendizagem. As trilhas são desenhadas pensando no pré e pós treinamento, ou seja, que sequência de experiências poderão ser proporcionadas aos participantes de forma que eles possam efetivamente apreender as novas competências requeridas.

Por fim, a terceira característica das trilhas de aprendizagem é a diversidade de estímulos. A fim de que os objetivos de aprendizagem e desempenho sejam alcançados, a educação corporativa pode lançar mão de diferentes soluções e recursos instrucionais.

Alguns exemplos: cursos presenciais ou online, tutoria, vídeos, fóruns, chats, participação em congressos ou seminários, mentoria, coaching, atividades on the job, livros e apostilas, participação em projetos, entre outros.

Para planejar quais ações farão parte de cada trilha de aprendizagem, é preciso realizar, previamente, uma análise bem estruturada. Conhecer profundamente o público e as necessidades de aprendizagem e desempenho é fundamental para que as trilhas não representem apenas uma sequência de atividades, mas sim estratégias educacionais que proporcionem uma continuidade no desenvolvimento dos colaboradores.

Veja as vantagens na utilização de trilhas de aprendizagem:

 

– Possibilita que o colaborador tenha uma visão mais clara das competências necessárias.

 

– Nivela conhecimentos necessários.

 

– Estimula o autodesenvolvimento, permitindo que os colaboradores tenham autonomia na escolha das trilhas que deseja percorrer.

 

– Proporciona um ambiente de aprendizagem contínua.

 

– Potencialização do processo de aprendizagem a partir de diferentes estímulos.

 

– Associa a Educação Corporativa aos processos de desenvolvimento de carreira e plano de sucessão, possibilitando que o colaborador defina metas de aprendizagem de acordo com seus objetivos.

 

As trilhas de aprendizagem ampliam a capacidade de aprendizagem da empresa. Ao desenvolver seus colaboradores de forma contínua, a empresa estará também desenvolvendo sua capacidade de se reinventar e se adaptar a um ambiente em constante processo de mutação.

 

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Mensurar resultados de treinamento é tão importante quanto investir em qualificação

A forma mais inteligente de engajar e reter talentos nos negócios e, consequentemente, melhorar seus serviços é investir em pessoas.

Quanto mais investimento houver para o desenvolvimento e crescimento dos colaboradores, maior será a vontade deles de se aplicarem e mais valorizados eles se sentirão para realizar as atividades diárias.

Para planejar a qualificação das equipes, a primeira coisa a se fazer, segundo especialistas que atuam neste segmento, é o levantamento das necessidades do treinamento.

Existem algumas perguntas básicas que podem ajudar nesse processo:

O que quero melhorar? Para que preciso treinar? Por que preciso treinar? Para quem esse treinamento é importante?

Alexandre Slivnik, especialista em gestão de pessoas, com especialização em Harvard – Graduate Schoool of Education, diretor da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD) explica que somente através das respostas desses questionamentos, será possível identificar quais os pontos principais a serem desenvolvidos no negócio.

“O desenrolar desse planejamento deve ser feito diariamente, através do treinamento formal em uma sala de aula ou, até mesmo, no dia-a-dia no próprio ambiente de trabalho. O ponto principal é estar em constante evolução”, defende Slivnik.

Pensando no Retorno Sobre Investimento (ROI), existem diversas ferramentas que ajudam a identificar esse resultado.

“A mais fácil de ser utilizada é analisar um grupo que tenha recebido o treinamento e outro que não tenha participado de nenhum e fazer a comparação de resultados entre eles, antes, durante e depois das ações de desenvolvimento”, explica Alexandre.

Esses dados são importantes porque auxiliam na identificação de problemas e na implementação de treinamentos mais efetivos, ajudando a quantifica-los.

Para usar essa informação, visando ajustes e melhorias nos processos, antes de mais nada é preciso entender que os números servem para ajudar o gestor a entender a eficácia das suas ações de desenvolvimento.

“Ao analisar os números, será possível identificar se o treinamento obteve resultado e se existem colaboradores que precisam participar mais alguma vez dessa formação”, aponta o especialista em gestão de pessoas.

Infelizmente, de acordo com a PwC – prestadora de serviços de qualidade em auditoria – apenas 13% das empresas mensuram ações de treinamento para seus funcionários. Alexandre atribui a isso ao fato que muitos gestores ainda acham que mensurar essas atividades é algo subjetivo e por consequência essa parte de mensurar as principais fases do treinamento acaba não sendo realizada.

Contudo, ele ressalta que a educação corporativa pode trazer grandes benefícios e estratégias efetivas para o negócio e para isso é importante ter o ciclo completo: levantar as necessidades, planejar um treinamento adequado e avaliar os resultados efetivos.

“Em cada etapa, é preciso sempre fazer associações aos objetivos da organização, para que tenhamos um alinhamento cada vez mais estratégico”, aponta.

“É preciso transformar em números as ações efetivas que foram implantadas após cada etapa de desenvolvimento”, destaca.

O que é e-learning?

E-learning é uma modalidade de ensino à distância por meio de mídia eletrônica, que utiliza a internet como meio de acesso aos conteúdos, os quais podem ser apresentados em diversos formatos como vídeos, áudios, textos, imagens e outros.

Umas das principais vantagens é a flexibilidade de espaço e tempo proporcionada pelo e-learning, pois o aluno pode estar em qualquer local do mundo, desde que tenha acesso a internet, e pode fazer o seu curso no momento que lhe for mais adequado.

Pense no exemplo de uma empresa nacional com sede em São Paulo, mas com filiais em todos os outros estados brasileiros e que acaba de lançar um novo produto. Esse produto possui informações de características técnicas, de como ele deve ser vendido, de como se dá suporte e diversas outras informações que precisam ser repassadas para todos os funcionários da empresa.

Digamos que a empresa possui 900 funcionários nas filiais. Já imaginou o custo com deslocamento, hospedagem e alimentação para levar 900 pessoas para um treinamento na sede da empresa?

Com o e-learning esses custos simplesmente não existem, e os funcionários ainda podem fazer o treinamento no local e momento que desejarem.

Os custos do e-learning quando pensados na sua implementação podem ser altos comparados a outra metodologias, mas, depois de implementado, os custos caem significativamente. Isso porque, depois de pronto, ele pode ser usufruído por centenas, milhares de pessoas sem custos adicionais.

Outra vantagem desse tipo de ensino à distância é a auto-aprendizagem, pois, não necessariamente, necessita-se de um professor/instrutor e, o melhor, pode ser oferecido em diversos tipos de cursos online e soluções tecnológicas voltadas para a educação.

Muitas pessoas confundem mobile-learning, micro-learning e e-learning, mas há bastante diferença entre eles, saiba mais acessando esse conteúdo.

 

 

Referências:

Significado de e-learning

edools

Os frutos do ensino à distância

Como as matrículas nos cursos com horários flexíveis estão dando aos brasileiros mais oportunidades de transformação em suas carreiras e até na vida pessoal.

Rinaldo Cuco,60 anos faz Licenciatura em Geografia (Foto: Anna carolina Negri/ÉPOCA)

Faz licenciatura em geografia

Formado em estudos sociais em 1981, aproveitou o curso à distância da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, para se aperfeiçoar na docência em horários alternativos (Foto: Anna Carolina Negri/ÉPOCA)

Todos os dias, o paulistano Rinaldo Luiz Cuco levanta-se antes de o sol nascer e passa de três a quatro horas em frente ao computador estudando: assiste a videoaulas, atualiza a leitura e participa de chats e fóruns on-line. Por volta de 8 horas, sai de casa para trabalhar e às 12 horas retorna para o almoço. Após a refeição, sai para a segunda jornada de trabalho numa escola estadual de São Paulo, onde leciona história e geografia aos alunos do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino médio. “O tempo é escasso e a rotina cansativa, mas vale a pena”, conta o professor, que no primeiro semestre de 2018 concluirá a licenciatura em geografia num curso à distância. Cuco formou-se em estudos sociais em 1981 e, perto dos 60 anos, numa fase da vida em que as obrigações familiares aliviaram, decidiu retomar os estudos a fim de se aperfeiçoar no ofício que considera sua verdadeira vocação: ser professor. “O tempo passa, e a gente acaba ficando para trás. Voltei a estudar para atualizar o conteúdo de geografia.”

>> A jovem que leva tecnologia para o professor

“A rotina do curso intensifica o envolvimento mesmo que as pessoas não convivam no dia a dia”
IVETE PALANGE, CONSELHEIRA DA ABED

Cuco faz parte de um grupo que não para de crescer no Brasil: os estudantes que optam por fazer cursos à distância, seja em nível de graduação ou de pós-graduação, seja em cursos livres. Segundo o Censo da Educação Superior de 2016 do Ministério da Educação (MEC), o número de matrículas em cursos de graduação à distância aproxima-se de 1,5 milhão, o que corresponde a 18,6% dos 8,04 milhões de universitários no país. Somam-se a esse contingente cerca de 2,9 milhões de alunos dos cursos livres corporativos e não corporativos, conforme contabilizou o censo da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed). Uma década atrás, a educação à distância (EAD) respondia por 4,2% dos graduandos brasileiros e os cursos presenciais concentravam 95,8% das matrículas. Apenas em um ano, de 2015 para 2016, a educação à distância assistiu ao aumento de 7,2% das matrículas, ao passo que a educação presencial teve queda de 1,2%. O MEC projeta que em cinco anos a educação à distância deverá responder por metade das matrículas na educação superior brasileira.

>> Eles conciliam trabalho e educação

“Os cursos atendem quem quer um diploma, quem quer se aperfeiçoar ou tem motivações pessoais para estudar”
BETINA VON STAA, COORDENADORA TÉCNICA DO CENSO DA ABED

O avanço do ensino à distância começou para atender as salas de aula do ensino básico. “No Brasil, houve fomento à educação à distância a partir de 2004 porque havia a necessidade de qualificar os professores. Muitos não tinham a formação de nível superior exigida pela lei e era preciso aumentar a quantidade de docentes com licenciatura”, diz William Klein, CEO da Hoper Educacional. Passada pouco mais de uma década, as pessoas começaram, de um lado, a enxergar a educação à distância como uma alternativa para se formar, se especializar ou mesmo satisfazer uma necessidade de aprender algo importante para a vida. “A educação à distância está atendendo pessoas que buscam todo tipo de objetivo: quem quer um diploma, quem quer se aperfeiçoar profissionalmente e quem tem motivações pessoais para estudar”, analisa Betina von Staa, consultora em inovação educacional e coordenadora técnica do censo da Abed.

>> Os cursos de mestrado que o mercado quer

Junto com a demanda, a oferta cresce. Segundo o censo da Abed, o número de novas instituições que oferecem EAD aumentou em 22%, ao passo que a quantidade de estabelecimentos que oferecem educação em geral aumentou 4%. O negócio está concentrado nas mãos de grandes grupos privados, com capacidade de investimento para implantar os polos e investir em tecnologia, materiais e conteúdos didáticos. O setor privado corresponde a 68% das instituições que atuam no segmento.

“Hoje, a educação à distância é natural, sobretudo para os mais jovens”

JOÃO VIANNEY, CONSULTOR DA HOPER EDUCACIONAL

Outros fatores ajudam a compreender a explosão da educação à distância no Brasil: da diversidade da oferta, passando pela mensalidade que “cabe no bolso”, à diminuição do preconceito quanto à qualidade dos cursos. Ao contrário do que muitos acreditam, a legislação estabelece que os diplomas de educação à distância possuem o mesmo valor dos diplomas dos cursos presenciais. Em 2007, única vez em que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) divulgou uma análise do desempenho dos dois grupos no Enade, os alunos à distância se saíram melhor em sete das 13 áreas comparadas. “Vinte anos atrás, a educação à distância era uma inovação. Hoje, a EAD é natural, sobretudo para os mais jovens”, afirma João Vianney, consultor da Abed e da Hoper Educacional. Além disso, a tecnologia permite levar a educação para quem não tem outra opção. “No interior e em regiões como a Amazônia, muitas vezes a única alternativa para quem quer estudar é o ensino à distância”, afirma Betina.

Andréa de Almeida,36 anos cursando pedagogia (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)

Cursando pedagogia

Casada e mãe de dois filhos, morando na zona rural de Mogi das Cruzes, São Paulo, ela está estudando para educação ambiental. Abandonou a primeira formação, de análise radiológica, para trabalhar numa reserva florestal (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)

Foi a solução para Andréa Aparecida de Almeida. Ela mora em Taiaçupeba, distrito na zona rural de Mogi das Cruzes, São Paulo, e cursa o 1º semestre de pedagogia à distância na Universidade do Norte do Paraná (Unopar). Casada e mãe de dois filhos, Andréa trabalha como monitora numa reserva florestal da Suzano Papel e Celulose. Ela passa o dia percorrendo trilhas no meio da Mata Atlântica com os visitantes, ensinando os moradores da cidade a se entender com a floresta, longe do sinal do celular. “Minha rotina exige muito deslocamento. Dependendo da época do ano e da demanda de visitação, passo o dia no parque atendendo estudantes e professores”, diz. Sua formação original, mais de dez anos atrás, foi em radiologia. Mas no contato com a reserva decidiu virar educadora ambiental. “Como o curso é à distância, consigo estudar dentro de casa, nos horários possíveis”, explica. “Pensei em fazer biologia, mas escolhi pedagogia porque sentia necessidade de aprofundar o meu lado educadora”,  diz Andréa.  “Quero trabalhar com educação e com crianças de uma maneira aberta, sem os limites de uma sala de aula.”

Um curso à distância também ajudou Letícia Monte Faustino, de Campinas (no interior de São Paulo), a reposicionar sua carreira. Aos 26 anos, ela está cursando o 3º semestre de análise de sistemas à distância na Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul). O curso é sua segunda graduação. Em 2014, ela se formou em engenharia de materiais na Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). Mas teve dificuldade para entrar no mercado de trabalho. “O tempo foi passando e eu fiquei numa situação delicada, pois não era mais uma recém-formada nem tinha experiência profissional”, conta Letícia. Então, voltou a estudar. “Queria ingressar numa área com o mercado de trabalho mais aquecido e que tivesse a ver comigo”, aprofunda Letícia, que diz gostar de tecnologia. Ela afirma que a comodidade foi fundamental para poder estudar.  “Quando comecei o curso, ainda estava procurando emprego em engenharia, então não queria ter todo o dia tomado com aulas e estudo.” Com a guinada profissional, Letícia agora faz estágio no Instituto de Pesquisa da Samsung, em Campinas, onde trabalha com o desenvolvimento de games.

A flexibilidade da tecnologia e das metodologias dos cursos à distância não significa, necessariamente, uma rotina de estudos leve. Pelo contrário. O sucesso do aluno depende essencialmente de organização e disciplina. Por isso, a motivação interna para se aperfeiçoar é fundamental, analisa Ivete Palange, conselheira da Abed. Para evitar a falta de estímulo e a sensação de isolamento, em decorrência da ausência de contato físico com os colegas de turma, a recomendação é criar uma rotina de estudos, com dias, horários e tempo de dedicação definidos. E segui-la rigorosamente. “A rotina evita o abandono do curso”, diz.

Juan Severo,36 anos graduado em administração (Foto: André Feltes/ÉPOCA)

Graduado em administração

Ele fez a graduação à distância pela Escola de Administração da UFRGS. Conseguiu conciliar com o trabalho e conquistou uma promoção para a área administrativa do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Foto: André Feltes/ÉPOCA)

O curso à distância abriu as portas para a ascensão profissional do administrador Juan Pablo Diehl Severo, de Porto Alegre. Ele começou a estudar assim em 2006, quando ingressou na graduação em administração na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), num projeto pioneiro da Escola de Administração da UFRGS e do Banco do Brasil voltado para funcionários, mas aberto a qualquer pessoa em busca de formação na área. Durante quatro anos, Juan Severo, funcionário do Banco do Estado do Rio Grande do Sul,  sustentou uma rotina diária de aulas e estudo, complementada por provas presenciais a cada quinzena. “Foi uma experiência importante e diferente. Apesar da flexibilidade, o curso era muito estruturado, com tutores e professores bem preparados”, lembra. Pouco depois de se graduar, em 2010, Severo participou de um processo seletivo do banco e foi transferido do atendimento em agência para a área administrativa, conforme almejava. Depois da graduação, ele iniciou uma especialização em marketing, que abandonou, porque avaliou que o material didático era de má qualidade. “Todo o conteúdo era oferecido em CDs e o suporte ao aluno era precário”, lembra. Em 2015, iniciou e concluiu uma especialização em gestão de pessoas. Atualmente, faz dois cursos de francês on-line, pois planeja viajar para a França com a esposa em 2019.

Daniela Stump,34 anos estudando a ciência da felicidade (Foto: Lufe Gomes/ÉPOCA)

Estudando a ciência da felicidade

A advogada, sócia de um grande escritório em São Paulo, resolveu estudar a ciência da felicidade num curso da Universidade Berkeley para seu crescimento pessoal (Foto: Lufe Gomes/ÉPOCA)

Essa flexibilidade do curso à distância também pode ser útil para o desenvolvimento pessoal, independentemente de alguma aplicação imediata na carreira. Foi o que descobriu a advogada Daniela Stump. Mestre em Direito Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP) e sócia da Machado Meyer Advogados em São Paulo, Daniela está fazendo um curso livre de oito semanas ofertado pela Universidade Berkeley, nos Estados Unidos, chamado “A ciência da felicidade” na plataforma edX, que reúne algumas das mais renomadas instituições americanas. “Troquei o Netflix pela edX”, brinca Daniela, entusiasmada com o curso. “Sempre fiz cursos presenciais, não tinha ideia de como é estudar à distância. É muito estimulante! Dá vontade de sentar-se ao computador para assistir a videoaulas e participar dos chats, mesmo que seja entre as 22 horas e a meia-noite, quando os filhos estão na cama e depois de um dia de trabalho”, conta, ao descrever sua rotina. “Estou aprendendo muito sobre mim mesma e sobre as pessoas de maneira geral.” Daniela diz que graças ao curso está compreendendo a origem de seu interesse por temas como diversidade e inclusão. Hoje ela atua num projeto voltado para ampliar a participação de minorias no escritório. “Já existem estudos de neurociência e psicologia que mostram que a felicidade está ligada a quanto nos dedicamos aos outros. Isso me fez entender por que gosto tanto do projeto.”

Mudanças recentes na legislação sobre educação à distância prometem romper as fronteiras que ainda restam. O novo marco legal acaba com exigências do MEC para o credenciamento de instituições e abertura de cursos. Isso favorece a entrada de instituições de pequeno e médio porte num mercado hoje dominado por grandes grupos educacionais. Até então, era preciso esperar até dois ou três anos para ter um pedido limitado de abertura de polos com a tramitação concluída pelo MEC. Agora, a instituição pode abrir certo número de polos todo ano. A diversidade de opções deve se multiplicar. Voltar a estudar ficará cada vez mais irresistível.

CADA VEZ MAIS PRÓXIMOS Os cursos à distância atendem uma parcela cada vez maior do ensino superior (Foto: Fonte: Inep/MEC)

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